quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Após telhado desabar, igreja na Vila Cascavel deve ser demolida


JULLY CAMILO / JP
A igreja evangélica da Assembleia Missão Continental, situada na Rua Coral, na Vila Cascavel, da qual o telhado desabou, no final da tarde de terça-feira (17), foi completamente interditada pelo Corpo de Bombeiros e deverá ser demolida nos próximos dias.

 A decisão foi tomada após minuciosas vistorias executadas pela Defesa Civil Municipal, Corpo de Bombeiros, Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Maranhão (CREA-MA) e Blitz Urbana, na manhã de ontem, que detectaram falhas gravíssimas na estrutura física do templo, que pode ruir a qualquer momento.

De acordo com informações de populares, a obra teria sido oriunda de um mutirão comunitário, realizado pelos próprios fiéis; porém, o caso será investigado pelo 15º Distrito Policial (São Raimundo) que identificará e apontará os possíveis responsáveis pela construção. 

Seis das 10 pessoas que participavam de um círculo de oração, no momento do fato, foram atendidas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhadas para o Hospital Municipal Clementino Moura, o Socorrão 2. No entanto, cinco já foram liberadas e sofreram apenas leves escoriações, já a dona de casa Maria de Jesus Pereira Silva Souza, de 50 anos, continua internada, mas seu estado é estável.

Segundo Kelly Jonmara, arquiteta e coordenadora técnica da Defesa Civil Municipal, a obra teria sido uma iniciativa da própria comunidade que executou o serviço sem nenhuma orientação técnica.

Ela explicou que as paredes não tiveram amarração adequada, além da altura desproporcional e do peso do telhado que ruiu. 

“A parede lateral direita inclinou e avançou para trás, podendo ceder a qualquer momento. O telhado fixou muito pesado e a falta de uma base firme fez com que ele desabasse.

O nosso laudo apontará todas as falhas e além da interdição que já foi realizada, pediremos pela demolição da estrutura. 

As informações que obtivemos é que seis adultos sofreram leves escoriações, e após passarem por uma avaliação médica foram liberados. 

Como a comunidade assume a autoria da obra, eles e a direção da igreja, que ainda estamos tentando identificar, serão notificados dos procedimentos que devem ser adotados nos próximos dias em relação à demolição”, disse.

Demolição – O diretor da Blitz Urbana, Edilson Silva, também esteve no local, acompanhado do corpo técnico da Secretaria Municipal de Urbanismo e Habitação (Semurh), e o parecer foi similar ao já emitido pelos outros órgãos fiscalizadores que também periciaram a área. 

Ele explicou que ainda será analisada se a demolição será total ou parcial; porém, a medida deverá ser aplicada nos próximos dias e acompanhada pela Blitz Urbana.

 “Apesar de a obra ter sido executada pela comunidade, não podemos deixar o trabalho de demolição nas mãos deles, afinal precisamos eliminar riscos de incidentes. 

Portanto, o órgão deverá assumir esse trabalho. O mais importante é esclarecer também que as ‘obras de comunidades’ realizadas em regime de mutirão devem ser orientadas pelo nosso corpo técnico. 

As pessoas podem nos procurar e com certeza sanaremos dúvidas e daremos orientações de como proceder em casos de serviços desta natureza”, declarou.

Uma moradora da área, que preferiu não ser identificada, contou que é cunhada da vítima Maria de Jesus Pereira, que continua internada no Socorrão 2. Ela relatou que, no momento do incidente, havia crianças no local, mas que foram retiradas a tempo e somente os adultos sofreram escoriações.

 “Todos já foram liberados menos a minha cunhada que levou uma pancada muito forte na cabeça, além de leves ferimentos, estamos aguardando o resultado de alguns exames.

 Na realidade há uns oito meses começaram a limpeza deste terreno e o início das obras, mas só há quatros meses o local começou a ser utilizado como templo. 

Meu marido é encarregado elétrico e hidráulico de obras e já trabalha no ramo da construção civil há 30 anos, por algumas vezes ele disse às pessoas que trabalhavam na construção da igreja que a estrutura que estava sendo levantada era inadequada para suportar o peso do telhado.

Mas, ninguém o ouviu e o resultado foi esse incidente lamentável. Não conheço bem o pastor, mas soube que nem aqui estava, parece que está viajando”, afirmou.

Alguns membros da congregação se dirigiram ao templo durante a vistoria, porém, não quiseram se manifestar sobre o assunto e nem identificar os dirigentes da igreja, mas afirmaram que a iniciativa em construir o templo foi dos próprios populares.

 Apesar de o 15º DP ser a delegacia responsável pela área, até o final da manhã de ontem o fato ainda não havia sido comunicado de maneira oficial ao distrito, conforme pontuou o escrivão Luís Carlos.

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