quinta-feira, 6 de julho de 2017

Vereadores exaltam os ânimos no plenário da Câmara de São Luís*

Comentários do secretário Lula Filho, titular da Secretaria Municipal de Governo (Semgov), publicados nas redes sociais, na tarde de ontem, acabou motivando um debate exaltado entre os vereadores Beto Castro (PROS) e Honorato Fernandes (PT), na sessão desta quarta-feira (05), no Plenário Simão Estácio da Silveira.
 
O secretário, que tenta se defender de acusações sobre "baixas-indevidas" de débitos tributários de empresas ligadas a ele, usou o twitter para fazer algumas insinuações que supostamente foram dirigidas a integrantes do Parlamento municipal.
 
"Me impressiona o cara que escala um ‘morro’ e pensa que escalou o ‘Everest’. Aí ainda com soberba. E ainda se diz aliado", declarou Lula que ainda completou: "Último recado com endereço certo. Nem meu pai faz eu pedir desculpas pra coisa que nunca falei e a pessoa ajudou a inventar. Tenta outra", concluiu.
 
Irritado, com as provocações do secretário, Honorato Fernandes, 1º secretário da Mesa Diretora da Câmara, entendeu que as indiretas do auxiliar do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) haviam sido dirigidas para integrantes do Legislativo e, adotando um posicionamento igual ao feito na reunião com os secretários Delcio e Jota Pinto, ratificou o pedido de respeito.
 
"Os poderes são independentes, mas devem atuar de forma harmônica entre si. Essa regra precisa ser cumprida para evitar essa falta de respeito. Aqui nós temos um papel a cumprir. Desde o início sempre disse que não posso me omitir da responsabilidade, mas tenho feito isso sem personalizar ninguém. Portanto, o que não posso aceitar é que se refiram a membros desta Casa com indiretas e insinuações, pois eu considero isso uma falta de respeito", reagiu.
 
O líder do PT na Casa recebeu o apoio e elogios de vários colegas como Antônio Marcos Silva, o Marquinhos (DEM); Fátima Araújo (PCdoB), Josué Pinheiro (PSDB), Genival Alves (PRTB) e Aldir Júnior (PR). Vale ressaltar que desde o início das denúncias envolvendo o secretário Lula, o vereador Honorato tem adotado uma postura não de acusar, mas, sim, apenas, de cobrar a apuração dos fatos.
 
“Particularmente, não acredito que o secretário iria fraudar o sistema com uma quantia tão irrisória, no entanto, como membro desta Casa, por questão de consciência, precisamos apurar as denuncias que foram levantadas, até para cumprir com o nosso papel”, pontuou Honorato.
 
No entanto, o vereador Beto Castro, que é aliado pessoal do secretário Lula Filho, não concordou com algumas colocações de Honorato e reagiu dando início ao bate-boca entre os dois.
 
"(..) Eu não aceito isso. Vossa excelência fica falando mal do Lula [Filho], fica falando mal de todo mundo e quer posar de santo. Isso é covardia e eu não aceito. Se queremos respeito, temos que nos dá respeito", rebateu.
 
Diante do clima tenso, o vereador Ricardo Diniz (PCdoB) encerrou abruptamente a sessão. O assunto gerou uma repercussão nas redes sociais e em grupos de aplicativos de troca de mensagens. Mais tarde, quando o clima já não estava mais tenso, Beto tentou justificar os ânimos acalorados entre ele e o colega de plenário.
 
"Não sou apenas aliado do Lula, mas um amigo pessoal. Se eu me exaltei foi por conta das declarações dele [Honorato] insinuando que alguns nesta Casa eram ratos. Se ele pretende levar o caso ao Conselho de Ética, então serão duas denúncias: a minha e a dele", argumentou o líder do PROS.
 
*RACHA NA BASE*
Desde que as denúncias de evasão de receitas vieram à tona, na semana passada, após a descoberta de “baixas-indevidas” de débitos tributários de empresas ligadas ao secretário Lula Filho, o clima anda tenso no Palácio Pedro Neiva de Santana, sede do Legislativo.
 
Na segunda, vários parlamentares cobraram um posicionamento do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) e da Procuradoria Geral do Município (PGM) em relação à grave denúncia, que teria causado perdas de R$ 200 milhões aos cofres da prefeitura.  Eles já ensaiam a possibilidade de encaminhar à Mesa Diretora da Câmara Municipal uma proposta de criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar todas as denúncias relacionadas à prescrição de dívidas fiscais.
 
No mesmo dia, a racha na base do governo é visível. O sinal da fragilidade foi claro quando o plenário da Casa barrou, um requerimento de autoria do vereador Francisco Chaguinhas (PP), que pedia à Prefeitura de São Luís, o envio ao Legislativo da relação dos 15 servidores nomeados, com suas respectivas funções, nos respectivos órgãos citados, aos cargos criados em maio deste ano, com aprovação da Casa, mediante duas mensagens do Executivo.
 
O requerimento, rejeitado com placar apertado, mostrou que o Governo Edivaldo Holanda Júnior passou no teste, mas ainda está longe de se considerar um grande vitorioso na Casa. A situação tende a piorar se o chefe do executivo não reagir diante das declarações incabíveis e infundadas do seu principal secretário.
 

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